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O Uso De Protetor Solar Está Destruindo A Vida Marinha

 

Estudos mostram que duas substâncias químicas presentes na maioria das marcas de protetor solar estão matando os recifes de coral e outras formas de vida marinha em todo o mundo.
É isso mesmo: O filtro solar que você usa na praia para protegê-lo da exposição ao sol, está matando os recifes de corais e outras formas de vida marinha.

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Cerca de 14.000 toneladas de protetor solar acabam nos recifes de corais a cada ano, seja diretamente durante o banho de mar ou indiretamente quando você toma banho de chuveiro.

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O BuzzFeed, o HuffPost e o InSider divulgaram que o Havaí já é o primeiro estado dos EUA a proibir protetores solares contendo dois produtos químicos tóxicos, o oxibenzona e octinoxato, a partir dos estudos de 2015 publicados no Archives of Environmental Contamination and Toxicology, da Springer Science+Business Media, que descobriu que essas duas substâncias matam os recifes de coral liberando todos os nutrientes.
Esses produtos químicos não só matam os corais como também causam danos no DNA desses organismos tão delicados, tornando improvável que eles possam se desenvolver adequadamente.

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Os mesmos estudos mostram que a perda de nossos recifes de corais teria efeitos devastadores na vida marinha e na economia mundial e no suprimento de alimentos.

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Contemporary Ceramic Exhibition – Brazil and England

O arquiteto e designer americano Charles Jencks, que também é um importante teórico de arte, definiu a cerâmica como uma linguagem “ligada ao passado e movimentando-se para o futuro”.

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A história da cerâmica acompanha a história da própria humanidade, se sobrepondo a tendências e mantendo-se presente em todas as civilizações e culturas. Como arte aponta para o futuro, abraçando as novas tecnologias, sem contudo perder sua essência e natureza.

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Tudo isso pode ser confirmado na grandiosa exposição “Contemporary Ceramic Exhibition – Brazil and England”, que está no Centro Brasileiro Britânico em São Paulo até o dia 01 de abril.

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Obras de 78 artistas brasileiros e 12 ingleses traçam um panorama abrangente da arte cerâmica nos dois países, permitindo uma avaliação global de como a cerâmica contemporânea venceu a classificação de “arte menor” e assume um papel protagonista na arte pós-moderna.

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Organizada pela super atuante CCBRas essa exposição com curadoria do competente Fernando Zelman, reúne um surpreendente conjunto de obras mostrando uma grande diversidade de estilos e tecnicas, somadas à infinitas referências que ultrapassam fronteiras culturais e temporais, dando cor e principalmente forma ao imaginário de todos os artistas.

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Entre os 90 artistas que integram essa exposição estão nomes importantes e o de artistas em ascenção dos dois países: Douglas Fitch, Phil Rogers, Peter Willis, Kenjiro Ikoma, Kimi Nii, Sara Carone, Anelise Bredow, Ruben Alekxander, Cecilia Menezes, Tácito Fernandes, Agueda Zabisky e Angelina Zambelli, entre muitos outros.


O Centro Brasileiro Britânico funciona de segunda à sexta-feira até às 18 hs. O endereço é Rua Ferreira de Araújo, 741 – Pinheiros, São Paulo.

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Moda para um mundo sem diferenças

Moda para um mundo sem diferenças mas onde as pessoas não são todas iguais.
Adoro moda mas fazia muito tempo que tudo parecia tão previsível e déjà vu, que deixei de acompanhar o que rolava nas semanas de moda. Na verdade, após a morte do genial Alexander McQueen, troquei a expectativa por grandes surpresas pela admiração a evolução contínua no trabalho de alguns estilistas como Thom Browne, Craig Green e Rick Owens (meus favoritos).

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Mas uma foto, que insistia em aparecer nas minhas redes sociais, chamou minha atenção para o desfile da Gucci, coleção Fall Winter 2018/2019. Nela, dois modelos desfilavam segurando embaixo do braço réplicas perfeitas de suas próprias cabeças. Não resisti e fui ver o vídeo completo do desfile apresentado na Semana de Moda de Milão

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Alessandro Michele, com uma carreira construída dentro da Gucci desde 2002 e respondendo pela direção criativa desde 2015, apresentou um desfile impecável e com uma coerência fascinante entre coleção e apresentação. As excêntricas (des)combinações prometem vestir um mundo sem fronteiras ideológicas, raciais, estéticas, culturais, sociais, políticas ou de gênero.

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Eliminar essas diferenças, no entanto, está muito longe de um mundo uniformizado. A Gucci de Michele valoriza a identidade, a originalidade e a personalidade.
É fato que não havia nenhuma grande novidade mas Michele fez evoluir muito a proposta que a marca vem trabalhando já há 4 anos, depois da fase Glam Sex de Tom Ford. E o momento também se mostra propício para esse estranho mundo novo da Gucci.

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Apresentado em um cenário que reproduz um grande centro cirúrgico – onde ocorre a transformação do mundo como conhecemos para esse outro, livre das diferenças e do preconceito, cirurgicamente extirpados – o desfile trouxe além das cabeças decaptadas, dragões e répteis como referências filosóficas do pós-humanismo e do transumanismo, que celebra a superação das limitações intelectuais e físicas através do controle tecnológico da própria evolução biológica.

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É mesmo tempo de derrubarmos barreiras inúteis criadas por ideologias que alimentam o confronto ao invés de promover a comunhão. E a própria moda, que durante décadas vinha servindo a essas ideologias, dá o grito libertador.
Palmas para a Gucci.

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O Nascimento da Magia

Hoje, quando gravamos um vídeo para postar no Instagram ou em alguma outra rede social, não nos damos conta do longo caminho, percorrido em grande velocidade, desde a primeira imagem reconhecida como fotografia (do francês Joseph Nicéphore Niépce, em 1826) até a tecnologia ultra moderna que nos permite fotografar e produzir vídeos a qualquer instante com nossos smartphones.

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Paralelamente a Niépce, outro pesquisador francês, Louis Jacques Mandé Daguerre, registrou em 1835 o processo fotográfico, batizado de daguerreótipo. Mas muitos outros pesquisadores pelo mundo a fora se empenhavam em estudos para o registro da imagem. Entre eles o inglês William Fox Talbot e o francês radicado no Brasil Hércules Florence, que em 1834 desenvolveu o negativo. Em 1888 a Kodak abria suas portas falando já na popularização da fotografia.
A fotografia mudou definitivamente a nossa percepção de mundo, de espaço e de tempo. Influenciou sobretudo as artes, libertando a pintura da obrigação dos registros para a História e permitindo aos grandes mestres da época pintar suas impressões sobre a realidade. Assim como na fotografia, na pintura a luz passou a ser o objeto de registro.

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Mas a grande revolução viria em 1895 quando os franceses Auguste e Louis Lumière apresentaram em Paris o cinematógrafo, a fotografia em movimento. Nascia o cinema.
Os irmãos Lumière não foram apenas os inventores do cinematógrafo mas também os criadores do cinema em todos os seus aspectos. Foram os pioneiros na projeção em uma sala escura, cobrando ingresso de 1 franco. Foram também os primeiros diretores, roteiristas, diretores de arte e fotografia, produtores, etc.

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Eles produziram cera de 120 pequenos filmes e 108 deles foram primorosamente restaurados em 4 k e constituem o filme documentário “Lumière, A Aventura Começa”, um verdadeiro tributo dirigido por Thierry Frémaux, que é também diretor do Instituto Lumière e do Festival de Cannes.

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Este é o filme de estreia do projeto Sala Cult, o mais novo espaço para o cinema independente em Jundiaí, recém inaugurado no Shopping Paineiras. Com curadoria de Fátima Augusto (responsável por outros projeto consagrados, o Moviecom Arte e o Temperos de Cinema), o Sala Cult é um espaço alternativo mas bem ao gosto dos cinéfilos modernos, com instalações super confortáveis, som e imagem de altíssima qualidade.

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Além de ser um importante registro dos primórdios do cinema, os pequenos filmes dos irmãos Lumière nos transportam para a França do século XIX e a um mundo que fazia sua entrada na Era Moderna.
Narrado pelo próprio Frémaux e com uma trilha musical refinada assianada por Camille Saint-Saëns, este filme documentário conta com a participação especial de Martin Scorsese.
“Lumière, A Aventura Começa” será exibido nos dias hoje e amanhã, às 19horas e 24 de fevereiro, às 16 e as 19horas.
A Sala Cult fica no Shopping Paineiras – Avenida Nove de Julho, 1155 – Chácara Urbana, Jundiaí.
Obs: Desligue seu smartphone e mergulhe neste filme.

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The Square: Somos Todos Trogloditas

O poeta russo Vladimir Maiakóvski disse que “A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo”, no entanto, muitas vezes o reflexo no espelho da arte é fundamental para perceber o que e o quanto é necessário mudar.
E é isso o que mostra e faz o filme “The Square”, do sueco Ruben Östlund, expondo de forma brilhante, cruel e realista a hipocrisia da sociedade contemporânea.

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O filme se passa na Suécia, país nórdico conhecido pela qualidade de vida, pelo alto nível cultural, pela educação de seu povo, pela ausência de preconceitos… sim, só que não. Para quem pensa que é só aqui no 3º mundo que as pessoas são capazes de apedrejar museus, “The Square” mostra que a hipocrisia e a ignorância é uma epidemia de proporções globais.
Destruindo aquela imagem vendida de país onde tudo é perfeito, “The Square” mostra também as diferenças sociais, a violência e o preconceito que também existem na Suécia. As cenas dos moradores de rua e as que se passam nos subúrbios de Estocolmo são reveladoras. Como disse o nosso poeta Arnaldo Antunes, “miséria é miséria em qualquer canto”.

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Mas o foco principal de Ruben Östlund é a burguesia. E ele não poupa ninguém. Mostra o papel da publicidade na propagação da violência, a imbecilidade dos novos profissionais de imprensa e a deturpação da informação, a mediocridade das classes sociais pretensamente culta e educadas….

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Há cenas hilárias, como uma que mostra os convidados de uma vernissage desesperados para atacar o buffet; cenas emblemáticas, como a da ativista no centro de Estocolmo perguntando aos pedestres se eles querem salvar uma vida, ao que eles respondem negativamente; e algumas cenas antológicas, como a cena do casal que briga pela posse do preservativo cheio de esperma após o sexo.

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O ponto alto do filme, no entanto é a performance de um artista durante um elegante jantar oferecido aos mantenedores de um importante museu de arte contemporânea. Ele representa uma mistura do Incrível Hulk (versão nórdica) com um troglodita e promove ataques cada vez mais violentos aos convidados. A tensão da cena vai crescendo vertiginosamente, deixando os presentes encurralados, com medo, de cabeça baixa e em silêncio tentando não chamar a atenção do selvagem. Quando a situação foge completamente ao controle dos organizadores e o artista parece ter sido dominado pelo personagem, a performance alcança seu objetivo: revelar os trogloditas disfarçados sob smokings e vestidos de seda.

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Essa cena (inspirada em uma performance do artista Oleg Kulik em 1990) é também uma profunda reflexão sobre os limites da arte. E depois de assisti-la confirmo minha convicção de que a arte não pode ter limites, principalmente porque a nossa hipocrisia não tem limites.
Qualquer pessoa com o mínimo de coerência e bom senso, sai do cinema com um reforçado sentimento de vergonha do alheio e de si próprio. Estamos todos nós ali representados em nossa mesquinhez, nossa pequenez e nossa hipocrisia. A proposta do diretor ao nos colocar de frente para esse espelho é nos obrigar a reconhecer isso, assim como faz o persoangem principal, o diretor do museu (brilhantemente interpretado pelo charmoso Claes Bang), que ao final da história assume e se desculpa por sua própria mediocridade.
Candidato ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “The Square” é um filme obrigatório para os dias de hoje, sobretudo no Brasil onde a mediocridade e a hipocrisia nem mais se disfarçam.

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Herança Natalina

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Mais um Natal se passou e o que sobrou dele? Obesidade.
Além do óbvio aumento de peso corporal fruto de uma alimentação excessiva e errada típica desta época, há outro tipo de “gordura” que se acumula nas entranhas do planeta: Milhões de toneladas de lixo.
Embalagens de presentes e alimentos, a maior parte plásticos que levarão séculos para serem absorvidos pela natureza, já que 90% do lixo plástico não chega à reciclagem e uma grande parte nem sequer chega aos lixões. Isso sem contar o lixo gerado na produção dos itens consumidos.

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O consumismo já é considerado uma doença assim como o vício em jogos, funcionando como uma forma de alienação e fuga da realidade. O consumismo está diretamente ligado à deperessão, mal que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) atinge 5% da população mundial, aproximadamente 350 milhões de pessoas.
Além da depressão, o consumo também é um hábito promovido e incentivado pela indústria e a sociedade. Na cultura capitalista, o consumo é a força motriz da produção e esta é a base do “desenvolvimento”.

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Séculos de desenvolvimento a qualquer custo no entanto deixam um rastro de destruição incalculável em nosso planeta. Os estudiosos e cientistas afirmam que criamos já uma nova camada geológica sobre o planeta, a de tecnofósseis, uma cobertura de 30 trilhões de toneladas que já causa grande impacto sobre o ecossistema e cujo os malefícios futuros são impossíveis de serem dimensionados.

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Essa obesidade que causamos ao planeta é igualmente prejudicial à que provocamos em nossos próprios corpos. O excesso de alimentos ricos em gorduras, carboidratos e açúcares faz aumentar o sobrepeso gerando um grande número do doenças.
Estima-se que 2,1 bilhões de pessoas (quase 30% da população mundial) estão acima do peso ou já são obesos. O peso combinado da população mundial hoje, segundo estudiosos ingleses, é de quase 300 milhões de toneladas. Para se ter uma ideia, nos anos 70 a população mundial era praticamente metade do que temos hoje e o peso combinado era 10 vezes menor.

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Há um outro assunto que as pessoas não gostam de tocar: As fezes geradas diariamente pelos seres humanos. O ser humano produz de 150 a 450 gramas de fezes por dia. Isso nos leva ao impressionante número de 4 bilhões de quilos de fezes humanas produzidas diariamente.
Apesar da evolução dos sistemas de saneamento, é praticamente impossível tratar da forma adequada tantos dejetos e hoje mais da metade da população global não possui acesso ao saneamento básico, segundo a Organização Mundial da Saúde e a Unicef.
Você não pode ser ingênuo a ponto de imaginar que a Terra tem “forças” para suportar todo esse “peso”, sem que isso coloque em risco a saúde do planeta e a existência da própria raça humana.

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O Natal é apenas uma data onde os problemas causados diariamente a nós mesmos e ao planeta são condensados e potencializados. Todo o nosso lixo é responsabilidade nossa. De cada um de nós. Do papel de bala no dia-a-dia aos presentes de Natal. Da refeição rotineira à Ceia Natalina. Precisamos urgentemente rever nossos hábitos de consumo.

 

Ilustrações de Steve Cutts.

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O Apocalipse Segundo Aronofsky

As escrituras sagradas dizem que o fim dos tempos será pelo fogo. E o aquecimento global parece confirmar isso. “Mother”, do diretor Darren Aronosky começa com o fogo e a recriação do planeta, tudo orquestrado por Deus, representado por um poeta e mostrando todo o complexo processo de criação de uma obra e também a sua vulnerabilidade.

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O polêmico diretor de filmes como “Réquiem Para Um Sonho”, “O Lutador”, “A Fonte da Vida”, “Cisne Negro’ e “Noé”, surpreende muito com seu mais recente, brilhante e controverso trabalho, “Mother”. Juntando textos bíblicos, Lars von Trier, um elenco poderoso e uma direção de arte primorosa, Aronofsky produziu uma verdadeira obra de arte, falando sobre o papel da raça humana na destruição do planeta.

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E como uma verdadeira obra de arte contemporânea, “Mother” vem sofrendo grande rejeição, apesar de contar uma história que, teoricamente, deveria ser conhecida por grande parte do público.

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Assisti o filme em uma sala completamente lotada numa noite de domingo. O público acompanhou o filme em silêncio, como que tentando entender. Mas ao final, quando a história volta ao seu início, o público parecia se sentir ofendido por não entender nada do que tinham acabado de ver.

“Sem pé e sem cabeça” foi a frase mais ouvida após a sessão. E realmente, para quem desavisadamente foi assistir a história de um casal que recebe a visita de estranhos e começa a vivenciar fatos bizarros, o filme é totalmente sem pé e sem cabeça.

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Mas o Gênesis e o Apocalipse estavam ali, bem na cara de todo mundo: Deus, a Mãe Terra, Adão e Eva, Abel e Caim, a maçã, Jesus e falas inteiras extraídas da bíblia. E quem conseguiu estabelecer a relação da história com o que acontece de verdade com o planeta hoje, entendeu tudo! As relações humanas, a intolerância, o desrespeito, o fanatismo, a idolatria, a violência, as guerras, a destruição, o caos absoluto… e no meio disso tudo a vida e o amor tentando sobreviver.

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A bíblia e dramas psicológicos são recorrentes nos filmes de Aronofsky, que tem formação em cinema e antropologia social. Mas “Mother” foge completamente a tudo o que o diretor fez anteriormente e mostrava um grande conflito entre o comercial palatável e o artístico duro de engolir, sem conseguir agradar nenhum dos dois públicos.
Em “Mother”, ele assume o duro de engolir e se joga sem medo em um filme que pode ser o seu grande divisor de águas, marcando uma grande virada em sua carreira.

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O elenco todo está impecável. Javier Bardem, surge sem sotaque e com uma interpretação precisa de um Deus frio e ao mesmo tempo fascinado pelo fervilhar das emoções e sentimentos. Ed Harris e Michelle Pfeiffer, foram escolhas perfeitas para o insólito casal Adão e Eva que faz a trama acontecer.
Mas a atuação de Jeniffer Lawrence, cada vez mais bela e mais surpreendente como atriz, joga “Mother” em um outro patamar. A força dramática e a delicadeza que a personagem exige, não seria encontrada facilmente em outra atriz da atualidade.

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A riqueza de detalhes é outro ponto de destaque no filme. Sutilezas como a ferida que aparece nas costas do personagem de Ed Harris (referência clara à costela arrancada de Adão para a criação de Eva) e os 3 andares da casa que na última parte se transformam em céu, purgatório e inferno, são detalhes que tornam “Mother” um filme para querer ver de novo.

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E acho que o Lars von Trier vai adorar, apesar do final esperançoso que mostra que o trabalho criativo de Deus nunca para e Terra sempre se refaz, apesar do homem.